Violência em Terra Vermelha: guerra de facções deixa mortos e paralisa ônibus em Vila Velha
A escalada da violência e a guerra entre facções criminosas assustam moradores de Terra Vermelha, Vila Velha. Entenda o impacto no transporte e a ação da polícia.
Viatura da polícia isola rua no bairro Ulisses Guimarães após ataque a tiros que deixou dois mortos na Grande Terra Vermelha.A escalada da violência em Terra Vermelha, Vila Velha, atingiu um nível crítico nesta quinta-feira (12), transformando ruas da comunidade em cenários de guerra. O confronto armado entre organizações criminosas rivais deixou dois jovens mortos e forçou a paralisação imediata dos ônibus do sistema Transcol. O clima de terror afeta diretamente a rotina de milhares de moradores e trabalhadores da Região 5, que ficaram sem transporte seguro para voltar para casa.
O epicentro do conflito: duplo homicídio em Ulisses Guimarães
A tensão máxima começou no início da tarde, quando um carro prata invadiu o bairro Ulisses Guimarães. Atiradores abriram fogo em via pública e executaram duas vítimas em plena luz do dia. O ataque a tiros no início da tarde desta quinta-feira chocou a comunidade local pela brutalidade e pela ousadia dos criminosos.
Lázaro Santos Ferreira, de 25 anos, foi assassinado dentro da própria barbearia. A segunda vítima do duplo homicídio, Eiglison Gomes Lopes, também de 25 anos, estava em uma motocicleta quando recebeu os disparos fatais. Ele caiu e morreu no local, antes da chegada de qualquer viatura de socorro médico.

A guerra pelo território: Primeiro Comando de Vitória contra Terceiro Comando Puro
O banho de sangue na Grande Terra Vermelha tem uma motivação clara: o controle absoluto do tráfico de drogas. As execuções representam retaliações diretas na disputa territorial entre o Primeiro Comando de Vitória (PCV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Estima-se que oito assassinatos recentes no município possuam ligação direta com esse conflito intenso por pontos de venda de entorpecentes.
A corporação estadual reconhece o desafio imposto pelas organizações criminosas, mas promete endurecer o combate. ‘A criminalidade evoluiu e impõe desafios, mas a Polícia Militar foi para a guerra contra as facções e continuará garantindo que o território capixaba seja protegido’, afirmou o comandante-geral da PMES, coronel Douglas Caus, ao destacar que as tropas estão mobilizadas para sufocar financeiramente e operacionalmente o crime organizado.
Caos na mobilidade: ônibus incendiado e veiculo de aplicativo a R$ 90
O medo ultrapassou os limites do crime e paralisou serviços essenciais públicos. Minutos após as mortes no bairro Ulisses Guimarães, criminosos interceptaram, depredaram e incendiaram um ônibus da linha 669. O ataque aconteceu próximo ao viaduto do bairro 23 de Maio. Diante do risco iminente, as empresas de transporte ordenaram o recolhimento imediato da frota.
Com os ônibus proibidos de entrar nos bairros, os moradores viveram um verdadeiro caos no fim do expediente. O retorno para casa virou um teste de resistência. Motoristas de aplicativos inflacionaram as tarifas, com corridas locais batendo a marca de R$ 90. Em contrapartida, motoristas informais começaram a cobrar cerca de R$ 10 por pessoa apenas para completar trajetos curtos até o interior das áreas de risco.
Resposta estatal: prisão em Guarapari e cerco contínuo
Para frear a onda de ataques, o Governo do Estado deflagrou operações emergenciais integradas. Equipes da Polícia Civil e da Polícia Penal executaram a prisão de um suspeito de 27 anos no bairro Village do Sol, em Guarapari. Ele atuava como uma forte liderança operacional orquestrando ataques na Região 5. O foragido do sistema prisional escondia drogas e uma arma de fogo de uso restrito na residência.
O policiamento tático da Força Tática e do BME permanece reforçado em Vila Velha de forma ininterrupta. As viaturas realizam incursões nas áreas de maior tensão para restabelecer a ordem e evitar novas emboscadas. As autoridades pedem que a população acione o Disque-Denúncia (181) para reportar o paradeiro de criminosos, garantindo sigilo absoluto. A sensação de segurança plena na comunidade capixaba agora depende diretamente do avanço e sucesso dessas prisões.


