Extrabom adota escala 5×2 no ES e pode chegar a 5 mil funcionários com dois dias de folga
Escala 5×2 no Extrabom já funciona em Laranjeiras, Gaivotas e Vila Rubim. Meta é beneficiar mais de 5 mil trabalhadores até o fim de 2026. Entenda.
Extrabom Supermercados adota escala 5×2 em três unidades do ES; meta é beneficiar mais de 5 mil funcionários até o fim de 2026.O Extrabom Supermercados começou a implantar a escala 5×2 — cinco dias de trabalho e dois de folga por semana — em três lojas do Espírito Santo. As unidades de Laranjeiras, na Serra, Gaivotas, em Vila Velha, e Vila Rubim, em Vitória, já operam no novo modelo. A meta do Grupo Coutinho, controlador da rede, é estender a mudança a mais de 5 mil funcionários até o fim de 2026.
O presidente da empresa, Luiz Coutinho, apresentou o projeto nesta semana durante coletiva na unidade de Vila Rubim. Ele revelou que três unidades já operam com a nova escala, resultado de dois anos de discussão interna em um comitê voltado à qualidade de vida dos trabalhadores. A expansão para as demais lojas deve acontecer de forma gradual ao longo dos próximos meses.
Serra foi a pioneira: projeto piloto começou em Laranjeiras
A unidade de Laranjeiras foi a primeira da rede a testar o novo formato. O projeto piloto entrou em vigor em fevereiro de 2026, depois de meses de planejamento. A escolha não foi aleatória: a loja já adotava uma dinâmica diferenciada de escala por não funcionar aos domingos, o que facilitou a transição.
Após a implantação, o Grupo Coutinho aplicou uma pesquisa interna para medir a receptividade da mudança. O resultado foi expressivo: 97% dos colaboradores afirmaram estar satisfeitos com o novo modelo. Com esse respaldo, a empresa expandiu a experiência para as unidades de Gaivotas e Vila Rubim, que também já trabalham na escala 5×2.
97% dos funcionários aprovam o novo modelo
“Estamos tendo um retorno muito positivo dos colaboradores”, afirmou Coutinho. Para ele, a satisfação do trabalhador se traduz diretamente em qualidade de atendimento. “Funcionário satisfeito permanece mais tempo na empresa e acaba prestando um atendimento melhor ao cliente. Até abril teremos mais lojas sob a nova escala e, até o final de 2026, praticamente todas as lojas também”, prometeu o empresário.
Como funciona a escala 5×2 e o que muda na prática
A mudança não reduz a carga horária total. O trabalhador continua cumprindo as 44 horas semanais previstas em lei — a diferença está na distribuição: as horas antes concentradas em seis dias passam a ser divididas em cinco. Na prática, o expediente diário fica um pouco mais longo, mas o colaborador garante dois dias consecutivos de descanso.
Quem já vive essa rotina avalia a troca como positiva. Arnaldo Schulz, operador de caixa da unidade de Laranjeiras, conta que a mudança melhorou especialmente o descanso e o desempenho. “Eu gosto muito de viajar, então ter a possibilidade de folgar dois dias seguidos é maravilhoso”, relatou. Segundo ele, a alteração nos horários de entrada e saída durante a semana foi mínima e não trouxe impacto negativo na rotina.
Impacto nos custos e o alerta sobre a PEC 6×1
A transição teve custo. Coutinho admite que a implantação do 5×2 gerou um aumento de cerca de 2% nas despesas com pessoal nas lojas já convertidas — resultado, em parte, de um pequeno acréscimo no quadro de funcionários para cobrir a nova distribuição de turnos. A empresa optou por absorver esse impacto internamente, sem repassar o custo ao consumidor.
O cenário muda, porém, se o Congresso Nacional aprovar a PEC que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. “Se houver essa redução, implicaria em um aumento de cerca de 10% no quadro de funcionários. Sem algum tipo de incentivo ou compensação para o setor, esse custo naturalmente pode acabar chegando ao consumidor final”, avaliou Coutinho. O alerta sinaliza que o modelo hoje adotado pelo Extrabom — bem-vindo pelos trabalhadores — ainda pode enfrentar novos ajustes dependendo do que for decidido em Brasília.
O Grupo Coutinho conta hoje com aproximadamente 6.800 colaboradores distribuídos em 40 lojas e outras operações no estado. A meta declarada é que ao menos 80% desse quadro — mais de 5 mil pessoas — esteja sob a escala 5×2 antes que 2026 se encerre.


