Assédio no Ifes Vitória: estudantes protestam e aluno é afastado
Estudantes fecharam a Avenida Vitória em protesto contra caso de assédio no Ifes Vitória. Aluna denunciou tentativa de beijo à força em sala.
Estudantes do Ifes realizaram protesto na Avenida Vitória contra casos de assédio. (Foto: Ana Carolina Carnelli)Estudantes fecharam duas faixas da Avenida Vitória, na tarde desta quarta-feira (18), em manifestação contra um caso de assédio no Ifes Vitória. O protesto ocorreu após uma aluna de 21 anos denunciar que um colega de turma tentou beijá-la à força dentro da sala de aula. O suspeito foi afastado preventivamente pela direção.
A mobilização expôs a indignação dos alunos com a falta de amparo às vítimas. Durante o ato, os manifestantes exibiram cartazes com frases como “Procura-se segurança no campus”, “Não vamos nos calar” e “Mulher a culpa que tu carrega não é tua”, criticando a orientação inicial dada à jovem, que foi instruída a formalizar a queixa apenas por e-mail logo após o ataque.
Como ocorreu a tentativa de beijo forçado em sala
O crime aconteceu quando o suspeito insistiu em sentar ao lado da vítima. Segundo o relato, ele passou a aula fazendo comentários invasivos até tentar o beijo sem consentimento. A estudante reagiu, empurrou o colega e buscou ajuda imediata com outros alunos e com a coordenação do curso.
Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil na última sexta-feira (13). Em depoimento, a vítima relatou se sentir violada e mencionou ter conhecimento de comportamentos semelhantes do mesmo rapaz contra outras alunas da instituição.
Alunos criticam falta de protocolo e cobram segurança
O clima de insegurança motivou o protesto de estudantes. Este seria o terceiro crime cometido dentro da instituição nas últimas semanas, cenário que agrava a preocupação com casos de assédio no Ifes Vitória, somando-se a episódios anteriores de racismo — em que um aluno passou borracha em uma vítima — e importunação sexual.
A porta-voz dos alunos, Bruna Caroline Ferreira Menezes Lemos, apontou falhas graves no acolhimento. A pauta de reivindicações inclui a instalação de câmeras de monitoramento, protocolos claros de denúncia e a ampliação dos serviços de psicologia e enfermaria, especialmente para o turno noturno.
“A vítima quando foi procurar ajuda, disseram que deveria enviar um e-mail e esse é um tratamento muito seco para uma pessoa que acabou de sofrer uma importunação sexual”, criticou a estudante Marcela, reforçando a urgência de um atendimento humanizado no campus para quem não tem condições emocionais de redigir documentos logo após um trauma.
O que diz a direção do instituto
O Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) informou por nota que iniciou os trâmites internos de apuração. Uma medida cautelar foi expedida para afastar o denunciado do ambiente escolar, com o objetivo de proteger a estudante e evitar novos danos.
O caso também foi encaminhado ao conselho de ética e disciplina do corpo discente. A professora Luciana Silvestre Girelli, que acompanhou a manifestação na Avenida Vitória, ressaltou que a escola reflete a estrutura da sociedade e defendeu a mobilização como resposta necessária à radicalização da violência contra a mulher.


