Adolescente de 14 anos é sequestrada e estuprada por 2 dias na Serra; suspeito tinha ficha criminal
Menina de 14 anos ficou em cárcere privado no bairro São Marcos III, na Serra, por dois dias. Suspeito de 50 anos já tinha antecedentes por crimes sexuais e segue foragido.
Terminal de Campo Grande, em Cariacica — local onde o suspeito abordou a adolescente de 14 anos na noite de domingo (8) com uma falsa promessa de doação de roupas. Foto: ReproduçãoUma adolescente de 14 anos passou dois dias em cárcere privado no bairro São Marcos III, em Serra Sede, sendo estuprada, agredida e queimada por um homem de 50 anos — antes de ser resgatada pela Polícia Militar na terça-feira (10). O agressor a abordou na noite de domingo (8) no Terminal de Campo Grande, em Cariacica, com uma falsa promessa de doação de roupas. O caso só veio à tona quando a própria vítima gritou por socorro ao perceber uma vizinha passando perto do imóvel.
Como o sequestro começou no Terminal de Campo Grande
A menina havia saído de casa na manhã de domingo sem informar aos pais o destino. No terminal, o suspeito iniciou uma conversa e afirmou que a irmã havia fechado uma loja e tinha roupas para doação — mas que os itens estavam na casa dele, na Serra. Convidou a adolescente a acompanhá-lo para buscar as peças.
Ela aceitou. Ao chegarem ao imóvel em São Marcos III, a situação mudou imediatamente. O homem a segurou pelo pescoço e apontou uma faca, ameaçando matá-la se gritasse. Ali começavam 48 horas de violência sistemática.
“Ele disse que as roupas eram para doação e perguntou se ela não queria acompanhá-lo para buscar. Foi assim que ele a levou até Serra Sede, onde ela ficou em cárcere”, relatou a conselheira tutelar Ana Cláudia Reis, do Conselho Tutelar da Serra.
Dois dias de cárcere, agressões e queimaduras
Dentro da casa, a adolescente sequestrada foi forçada a ingerir bebidas alcoólicas e medicamentos — estratégia usada pelo agressor para reduzir sua resistência. Os abusos físicos e sexuais se repetiram ao longo do cativeiro.
Na segunda-feira (9), o suspeito levou a menina até uma área de mata próxima. Lá, a amarrou a uma árvore com abraçadeiras de nylon e a amordaçou com uma blusa. A vítima contou à polícia que foi estuprada no local e depois abandonada por horas, sem comida nem água.
Ao retornar à noite para buscá-la, o agressor teve dificuldades para retirar as amarras. Usou um isqueiro para queimar os lacres — o que causou queimaduras graves nos dedos da mão da jovem. Ela foi então levada de volta para a casa, onde os abusos continuaram sob ameaça constante da faca.
Vizinha ouviu os gritos e chamou a PM
Na manhã de terça-feira (10), o suspeito saiu do imóvel. A adolescente aproveitou a distração: ao perceber uma vizinha passando perto da casa, gritou por socorro. A mulher ouviu os apelos e acionou a Polícia Militar imediatamente.
Os militares precisaram arrombar a porta para entrar. Encontraram a menina no segundo andar com marcas visíveis de amarras nos pulsos e sinais de socos e tapas pelo corpo. No imóvel, a PM apreendeu uma abraçadeira de nylon — compatível com as marcas nos pulsos — e a faca usada nas ameaças.
Pela gravidade dos ferimentos, a vítima foi encaminhada primeiro à UPA de Serra Sede e depois transferida ao Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória, em Bento Ferreira, Vitória, onde segue internada. O Conselho Tutelar e a mãe da menor estiveram presentes no atendimento.
Suspeito tem antecedentes por crimes sexuais e segue foragido
O dado que mais preocupou o Conselho Tutelar veio durante o atendimento da ocorrência. Ao consultar a ficha criminal do suspeito, a equipe confirmou que ele já respondia por outros crimes de natureza sexual antes desta abordagem — o que reforça a preocupação das autoridades de segurança pública com casos de reincidência na Grande Vitória.
“O policial fez o atendimento e puxou a ficha do homem, que já responde por outros crimes da mesma natureza, crimes sexuais”, afirmou a conselheira Ana Cláudia Reis. Ela destacou ainda o risco de adolescentes aceitarem propostas de desconhecidos. “O que nos assustou foi justamente ela ter conversado com um estranho e acompanhado ele. Falamos muito para que crianças e adolescentes não acompanhem pessoas desconhecidas, seja qual for a promessa”, alertou.
A Polícia Civil informou que o suspeito já foi identificado e que as buscas para prendê-lo estão em andamento. O caso tramita em segredo de justiça na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) — medida prevista em lei para preservar a identidade e a integridade da vítima, uma menina que precisou de toda a sua coragem para, finalmente, pedir socorro.


