Papa Leão 14 condena uso de Deus para justificar guerras no Domingo de Ramos
O Papa Leão 14 deu um duro recado no Domingo de Ramos 2026: "Deus rejeita a guerra". Confira os detalhes da missa no Vaticano, as tensões em Jerusalém e a agenda.
O Papa Leão 14 durante a celebração da missa de Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, no Vaticano. | Foto: Reprodução/Vatican MediaO Papa Leão 14 contestou de forma enfática, neste domingo (29), a ideia de que a fé possa ser utilizada para validar conflitos armados ao redor do mundo. Durante a celebração da missa de Domingo de Ramos de 2026, realizada diante de dezenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, o pontífice afirmou que “Deus é o rei da paz” e que Jesus rejeita a violência e acolhe os oprimidos.
A mensagem ocorre em um momento crítico da geopolítica mundial, com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã entrando em seu segundo mês, enquanto o conflito militar da Rússia na Ucrânia permanece sem perspectiva de cessar-fogo. Em seu sermão, o primeiro papa norte-americano da história dedicou suas palavras a desconstruir o uso da retórica religiosa em campos de batalha.
“Meus irmãos e irmãs, este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra e a quem ninguém pode usar para justificá-la”, declarou o Papa.
Citando uma passagem bíblica contundente para interpelar as potências globais, o pontífice foi categórico:
“Ele não escuta as orações de quem faz a guerra, mas as rejeita, dizendo: ‘Ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, pois as vossas mãos estão cheias de sangue’”.
“Mãos cheias de sangue”: O duro recado de Leão 14 sobre o Irã e a Ucrânia
O posicionamento do Vaticano surge como uma resposta direta ao aumento da retórica religiosa em Washington, Jerusalém e Moscou. Recentemente, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, passou a liderar cultos de oração no Pentágono, invocando a fé cristã para descrever a ofensiva contra o regime iraniano como uma missão de “justiça divina”.
No outro lado do espectro, a Igreja Ortodoxa russa tem sustentado a invasão da Ucrânia como uma “guerra santa” contra o que classifica como a decadência moral do Ocidente. Para o Papa Leão 14, tal uso da fé é uma traição aos ensinamentos de Cristo. Ele relembrou o momento da prisão de Jesus, quando o Messias repreendeu o seguidor que usou a espada para defendê-lo.
“(Jesus) não se armou, nem se defendeu, nem lutou qualquer guerra. Ele revelou o rosto manso de Deus, que sempre rejeita a violência. Em vez de salvar a si mesmo, permitiu que o pregassem na cruz”, pontuou o Papa.
Tensões em Jerusalém e o bloqueio inédito a líderes cristãos
Enquanto o Papa discursava em Roma, a situação em Jerusalém atingia níveis de tensão histórica. Pela primeira vez em séculos, a polícia israelense impediu que a principal liderança da Igreja Católica local, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, entrasse na Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Domingo de Ramos.
O local, onde os cristãos acreditam que Jesus foi crucificado e sepultado, foi fechado para fiéis e clérigos sob a justificativa de “restrições de segurança” devido ao conflito regional. O bloqueio gerou protestos do Patriarcado Latino, forçando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a prometer uma abertura parcial do local sagrado nos próximos dias.
Leão 14 lamentou o episódio e afirmou que rezava especialmente pelos cristãos do Oriente Médio, que estão “sofrendo as consequências de um conflito atroz” e impedidos de viver plenamente os ritos desta Semana Santa.
Mudança na tradição: O retorno do lava-pés à Basílica de São João de Latrão
Editorialmentre, o pontificado de Leão 14 sinaliza uma transição litúrgica em relação ao seu antecessor. O Vaticano confirmou que o Papa retomará a tradição de realizar a cerimônia do lava-pés de Quinta-feira Santa na Basílica de São João de Latrão, a catedral oficial de Roma.
A decisão marca um contraste com o Papa Francisco, que durante 12 anos quebrou protocolos ao lavar os pés de detentos, refugiados e muçulmanos em centros de acolhimento e prisões. Francisco buscava enfatizar a humildade e o serviço às periferias, frequentemente perguntando: “Por que eles e não eu?”.
Leão 14, embora mantenha o apelo pela paz, optou por retornar o rito para a basílica, onde os papas costumavam lavar os pés de 12 sacerdotes. A escolha é vista por analistas como um aceno às tradições históricas dos pontificados de Bento XVI e João Paulo II.
A memória de Francisco e o calendário da Semana Santa 2026
O início das celebrações pascais em 2026 é carregado de simbolismo para os católicos, ocorrendo exatamente um ano após a morte do Papa Francisco. O pontífice argentino faleceu na Segunda-feira de Páscoa de 2025, após sofrer um AVC, apenas um dia depois de saudar os fiéis em seu último giro de papamóvel pela Praça de São Pedro.
O enfermeiro de Francisco, Massimiliano Strappetti, revelou recentemente as últimas palavras do Papa em público: “Obrigado por me trazer de volta à praça”. Essa memória tem guiado o tom emocional das homilias de Leão 14, que busca equilibrar o legado de misericórdia de seu antecessor com a urgência diplomática exigida pelas novas guerras.
Para os leitores que buscam se aprofundar nos desdobramentos diplomáticos e religiosos, o portal Capixaba365 segue acompanhando as principais notícias do mundo e os reflexos desses acontecimentos na comunidade cristã capixaba.
A agenda oficial do Papa para os próximos dias inclui:
- Quinta-feira Santa: Cerimônia do lava-pés em São João de Latrão.
- Sexta-feira Santa: Procissão da Via Sacra no Coliseu de Roma.
- Sábado de Aleluia: Vigília Pascal e batismos na Basílica de São Pedro.
- Domingo de Páscoa: Missa de Ressurreição e a bênção Urbi et Orbi (Para a cidade e para o mundo).


