União Progressista oficializa apoio a Ricardo Ferraço para governo do ES em 2026
A federação União Progressista oficializou apoio ao vice-governador Ricardo Ferraço para a disputa ao Palácio Anchieta. Entenda o impacto na Grande Vitória.
Políticos e integrantes da Federação União Progressista fecham apoio a Ricardo Ferraço durante evento em Vitória. (Foto: Antônio Leles / Assessoria)A Federação União Progressista, formada pelos partidos PP e União Brasil, oficializou na tarde desta segunda-feira (23) o apoio à pré-candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). O anúncio afunila o cenário das eleições para o governo do ES, reconfigurando o tabuleiro político e isolando adversários do Palácio Anchieta. O evento ocorreu na sede das legendas, em Vitória, e reuniu dirigentes partidários e prefeitos de diferentes regiões do Estado. Na prática, o pacto garante também uma base sólida para o atual governador Renato Casagrande (PSB) na sua provável disputa ao Senado Federal.
O peso da União Progressista nas alianças estaduais
A força da “superfederação” reside nos números concretos. O grupo político detém atualmente a maior bancada na Câmara dos Deputados. Para as eleições estaduais, isso se traduz em uma fatia decisiva de recursos do fundo partidário e no maior tempo de propaganda eleitoral gratuita na televisão e no rádio.
Por conta dessa estrutura pesada, a aliança era a mais cobiçada do atual ciclo eleitoral. A federação foi disputada milimetricamente tanto pela base governista quanto por opositores diretos, a exemplo do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que chegou a receber apoio do PP em sua reeleição municipal.
Durante o ato de filiação, o presidente da federação e do PP capixaba, deputado federal Da Vitória, justificou a escolha focando na continuidade administrativa.
“Ricardo representa experiência, preparo e conhece o Estado. Tem a capacidade de manter o Espírito Santo estável. A Federação tem tamanho e história para garantir estabilidade política e sustentação institucional”, afirmou.
A mobilização em solo capixaba contou com a presença de nomes de peso no eleitorado conservador e popular, como os deputados federais Messias Donato e Amaro Neto, além dos estaduais Deninho, Adilson Espíndula e Raquel Lessa.
Bastidores: a costura na Assembleia e no Palácio Anchieta
A aliança governista não nasceu de um alinhamento automático. A negociação profunda ao longo dos últimos meses envolveu espaço na gestão estadual e apoio ao pleito da Assembleia Legislativa (Ales).
O PP possui um longo histórico na base aliada, mas a relação exigiu forte recalibragem quando Da Vitória assumiu o comando da sigla em 2023. Para garantir a estabilidade na sucessão, o Executivo estadual cedeu terreno estratégico: aceitou mudanças no comando da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedurb) e deu aval para que o deputado Marcelo Santos (União Brasil) permanecesse na presidência da Ales.
Em contrapartida, Marcelo atuou como ponte direta e fiador do acordo junto à cúpula nacional do União Brasil em Brasília.
“No Espírito Santo, não há ninguém com mais experiência para liderar do que Ricardo Ferraço. A Federação dá apoio irrestrito”, declarou o presidente da Assembleia durante o evento.

Impacto na bancada federal e os próximos passos
O acordo exigiu ainda movimentações táticas na formação da chapa para a Câmara Federal. Com o incentivo do Palácio Anchieta, os deputados Amaro Neto e Messias Donato deixaram o Republicanos para ingressar nos quadros da federação, fortalecendo a nominata. O secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, trocou o PSDB pelo PP, enquanto Marcus Vicente optou por permanecer no grupo para reforçar a chapa governista.
A demonstração de capilaridade regional atraiu dez prefeitos capixabas para a capital. Estiveram presentes gestores de grandes colégios eleitorais, como Euclério Sampaio (Cariacica) e Rodrigo Borges (Guarapari), além dos líderes de Dores do Rio Preto (Thiaguinho), Vila Valério (Davi Ramos), Alegre (Nirrô), Alfredo Chaves (Hugo Luiz), Jaguaré (Marcos Guerra), Guaçuí (Vágner Rodrigues), Iconha (Gedson Paulino) e Marechal Floriano (Lidiney Gobbi).
Ao aceitar formalmente o apoio da super bancada, Ricardo Ferraço sinalizou um modelo de gestão compartilhada com os aliados.
“Nós vamos ganhar a eleição com o apoio de vocês (Federação), mas vocês governarão junto com a gente. Nosso modelo de governo será sempre baseado no diálogo, na conversa”, disse Ricardo, que completou: “Não existe nova e velha política, existe a política boa e a política ruim. A política boa é essa que produz resultados para melhorar a vida das pessoas”.
O próximo e decisivo passo da base liderada por Casagrande será acomodar os aliados nos espaços que restam na chapa majoritária: definir quem ocupará a segunda vaga na disputa ao Senado e quem sentará na cadeira de vice-governador — postos estratégicos que a União Progressista já colocou na mesa de negociações.


