Guerra no Oriente Médio afeta indústria do plástico na Serra e preços sobem
A escalada da guerra no Oriente Médio encarece as resinas plásticas e atinge diretamente a indústria do plástico na Serra, no ES. Entenda o impacto.
Vista aérea de área industrial na Serra, coração da indústria do plástico no ES, agora impactada por custos globais. (Foto: Jansen Lube | Acervo-PMS)A escalada do conflito armado no Oriente Médio já pressiona os custos de produção e ameaça o fornecimento de fábricas ligadas à indústria do plástico, localizadas na Serra, no ES. O aumento expressivo no valor das resinas plásticas no mercado internacional atinge o polo metropolitano e deve resultar na alta de preços de embalagens e materiais para o consumidor capixaba.
Entidades do setor alertam que a crise geopolítica prejudica a logística e reduz a disponibilidade de insumos petroquímicos globais. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) destacou que o Brasil depende fortemente da matéria-prima importada, o que eleva a vulnerabilidade das fábricas locais às oscilações externas repentinas.
Alta nos custos da matéria-prima importada
O Espírito Santo concentra 138 empresas ligadas ao segmento, responsáveis por manter 3.617 empregos diretos, segundo o levantamento mais recente da Abiplast de 2024. A presidente do SindiplastES, Barbara Esteves, afirmou que os fornecedores internacionais anunciaram reajustes imediatos e já existem relatos concretos de escassez no mercado interno.
“A indústria transformadora não define o preço da resina. Nós somos diretamente impactados por esses aumentos e, infelizmente, muitas empresas terão que readequar os seus preços para continuar operando”, declarou a presidente do sindicato. A resina virgem deriva diretamente da cadeia petroquímica, sendo altamente sensível aos conflitos em regiões produtoras de petróleo.
A dependência externa do município ilustra a dimensão do desafio para a economia local. Apenas neste ano, a cidade movimentou mais de US$ 50 milhões em compras internacionais em 2025. A maior parte deste volume financeiro refere-se a polímeros primários, como o poliéster e o policarbonato, que somaram US$ 14,8 milhões em importações. O PVC representou US$ 13,1 milhões, enquanto o polipropileno atingiu US$ 3,1 milhões.
Impacto direto nas fábricas da Serra
O encarecimento da matéria-prima atinge um arranjo produtivo que concentra grandes corporações nacionais. A Serra abriga matrizes e filiais de gigantes da manufatura petroquímica, que juntas representam uma fatia decisiva da força de toda a indústria do plástico que opera no ES. Entre as principais companhias instaladas na cidade estão:
- Fibrasa: registou uma receita operacional líquida de R$ 532 milhões em 2024, de acordo com os dados do IEL.
- Fortlev: gigante nacional do setor logístico e de saneamento, com mais de nove fábricas no país e matriz instalada no município.
- Nova Forma: maior fabricante de portas sanfonadas e revestimentos de PVC do mercado brasileiro.
- Novapol: uma das principais produtoras de resina poliéster em toda a América Latina.
As empresas locais já repassam os novos custos operacionais para os pedidos comerciais. A Maifredo Embalagens, sediada no bairro Campinho da Serra, comunicou um reajuste imediato de 15% nos seus produtos a partir do mês de março. Numa nota enviada aos clientes, a fabricante relatou aumentos de 10% nos custos de matéria-prima na primeira quinzena do mês e outros 18% na segunda metade do período, justificando a medida com os impactos diretos da guerra no Irã.
Economia circular como alternativa para o setor
Para reduzir a exposição constante às crises globais, o sindicato patronal orienta a transição urgente para métodos sustentáveis no setor económico. O fomento à reciclagem avançada e a adoção de processos de economia circular surgem como as estratégias primárias para tentar diminuir o volume de compra da resina virgem importada.
Os capixabas sentirão os reflexos deste choque do mercado externo diretamente nas prateleiras dos supermercados e nas lojas de materiais de construção ao longo dos próximos meses. A cadeia petroquímica fornece insumos indispensáveis para a vida quotidiana contemporânea, abrangendo desde itens básicos de higiene e armazenamento de alimentos até componentes vitais para a agricultura e para a infraestrutura urbana.


