Do mar à montanha: 10 destinos imperdíveis no Espírito Santo em 2026
Destinos turísticos do Espírito Santo para 2026: do Mestre Álvaro em Serra ao Pico da Bandeira, passando por praias, montanhas e culinária italiana. Veja o roteiro completo.
Vista da Terceira Ponte de Vitória com o Convento da Penha ao fundo — um dos cartões-postais mais icônicos dos destinos turísticos do Espírito Santo.O Espírito Santo tem praias de areia radioativa, a terceira montanha mais alta do Brasil, a maior tirolesa da América Latina e a primeira pintura a óleo do país — e tudo isso a menos de algumas horas de carro da Grande Vitória. Para quem mora na Serra ou na região metropolitana e ainda não explorou o próprio estado, 2026 é a chance de mudar isso. Reunimos 10 destinos turísticos que provam, de vez, por que o ES não precisa de nada de fora para impressionar.
1. Mestre Álvaro (Serra): o gigante litorâneo de 833 metros na porta de casa

Quem mora na Grande Vitória vê o Mestre Álvaro todos os dias sem necessariamente ter subido nele. É hora de mudar isso. Com 833 metros de altitude, o monte é considerado uma das maiores elevações litorâneas de toda a costa brasileira — e fica a apenas 4 km do centro da Serra.
A Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual do Mestre Álvaro abriga uma das últimas áreas de Mata Atlântica de altitude do Espírito Santo, com fauna rica, espécies ameaçadas de extinção e nascentes que abastecem as bacias dos rios Jacaraípe e Santa Maria da Vitória. São quatro trilhas principais, todas classificadas como difíceis:
- Trilha Norte / Serra Sede: 4,4 km, duração estimada de 4 horas
- Trilha de Queimado / Três Marias: 4 km, aproximadamente 3 horas
- Trilha das Águas / Furnas: 4,5 km, cerca de 4 horas — considerada a mais bonita
- Trilha de Pitanga: 6,5 km, a mais longa, com até 5 horas de caminhada
Do topo, a vista é de tirar o fôlego: dá para avistar Vitória, Vila Velha, Cariacica, Viana, Fundão, Santa Leopoldina, parte de Domingos Martins e o Oceano Atlântico ao fundo. O Mestre Álvaro documentos cartográficos do século 16 já o registravam como ponto de referência para navegantes.
Dicas essenciais: leve ao menos 2 litros de água, repelente, calçado fechado e antiderrapante. Suba sempre com guia credenciado — a Prefeitura da Serra mantém lista oficial de condutores habilitados. Grupos como os Guardiões do Mestre (Instagram: @guardioesdomestreoficial / (27) 99631-2337) oferecem guiamento com foco em conservação ambiental. A trilha de Furnas parte da entrada da Furnas Energia, no Jardim Tropical, em Serra.
2. Nova Almeida (Serra): a primeira pintura do Brasil, falésias e parapente

A menos de 30 km do centro da Serra, o distrito de Nova Almeida guarda um tesouro que poucos capixabas conhecem como merece: a Igreja e Residência dos Reis Magos, construída entre 1580 e 1615 pelos jesuítas com a ajuda dos índios tupiniquins. Tombada pelo IPHAN, ela abriga em seu altar a primeira pintura a óleo sobre madeira do Brasil — a “Adoração dos Reis Magos”, atribuída ao frei Belchior Paulo. A igreja fica sobre uma colina a 40 metros de altitude, com vista panorâmica de tirar o fôlego.

Nova Almeida é também o ponto de partida para quem quer voar. As falésias de Nova Almeida, com 20 metros de altura às margens da rodovia ES-010, são referência para a prática de parapente em voo livre — uma das experiências mais cinematográficas do litoral capixaba. A praia em si combina mar tranquilo, encontro do Rio Reis Magos com o oceano e uma gastronomia de vila de pescadores: os quindins e cocadas artesanais de Nova Almeida são famosos em todo o estado — no verão, chegam a 400 unidades vendidas por dia.
3. Domingos Martins: charme europeu e a Pedra Azul na Serra Capixaba

A menos de 100 km de Vitória pela BR-262, Domingos Martins é o cartão-postal mais clássico do turismo capixaba — e ainda surpreende quem visita pela primeira vez. A arquitetura de herança alemã e italiana molda ruas, pousadas e cafés coloniais que fariam inveja a qualquer roteiro europeu.
O destaque é o Parque Estadual da Pedra Azul, inaugurado em 2 de janeiro de 1991, com 1.240 hectares de Mata Atlântica preservada e a imponente formação rochosa de gnaisse e granito que dá nome ao parque. Com 1.822 metros de altitude, a Pedra Azul muda de cor ao longo do dia: vai do azulado ao laranja e rosa conforme a incidência do sol. São duas trilhas autoguiadas:
- Circuito parcial: aproximadamente 1 km, com até 60 minutos de caminhada, passando pela base da pedra e pelos mirantes do Lagarto e do Forno Grande
- Circuito completo: cerca de 3,5 km, percorrido em até 3 horas, incluindo as piscinas naturais formadas pela ação da água nas cavidades da rocha

O parque também abriga a Pedra das Flores e a Pedra do Lagarto. A Casa da Cultura e Museu Histórico de Domingos Martins, na Avenida Presidente Vargas, 531 (entrada gratuita), guarda fotografias, mobiliário colonial e objetos trazidos da Europa, incluindo lembranças da visita do Imperador Dom Pedro II ao estado.
4. Guarapari: areias monazíticas, moqueca e sol durante todo o ano

Guarapari é o balneário mais completo do Espírito Santo. Suas praias têm uma característica única no Brasil: a areia monazítica, com propriedades radioativas naturais que atraem turistas em busca de relaxamento e que fazem da cidade referência nacional há décadas.
A Praia do Morro é a mais movimentada, com infraestrutura completa de quiosques, restaurantes e vida noturna. A Enseada Azul oferece águas mais calmas, ideais para famílias com crianças. Para os amantes de esportes náuticos, há opções de mergulho, stand-up paddle e passeios de barco pelas reentrâncias do litoral.
A gastronomia de Guarapari é obrigatória: a moqueca capixaba — feita com urucum, coentro e sem leite de coco — encontra alguns de seus melhores exemplares nas peixarias e restaurantes à beira-mar da cidade. O torta capixaba, prato típico da Semana Santa, também aparece em versões artesanais nos mercados locais.
5. Pancas: a maior tirolesa da América Latina e esportes radicais

Quem disse que o Espírito Santo não tem aventura extrema nunca foi a Pancas. O município, no noroeste do estado, é chamado de “capital capixaba dos esportes radicais” — e o título é merecido. A cidade abriga a Mega Tirolesa, considerada a maior da América Latina, além de estrutura para voo livre, rapel e trilhas por formações rochosas imponentes.
A paisagem de Pancas combina serras, quedas d’água e paredões de pedra que criam o cenário perfeito para quem quer adrenalina longe do mar. O destino tem crescido entre grupos de aventureiros de todo o Sudeste — e ainda é relativamente pouco disputado, o que garante uma experiência mais exclusiva para quem vai.
6. Santa Teresa: vinícolas premiadas e culinária italiana no interior

Santa Teresa carrega o título de primeira colônia italiana do Brasil — e leva essa herança a sério. As vinícolas da região produzem rótulos premiados e oferecem degustações e experiências enogastronômicas para visitantes. A culinária local, fortemente influenciada pelos imigrantes italianos, mistura receitas centenárias com ingredientes da terra: massas artesanais, embutidos defumados e polenta na brasa aparecem nos restaurantes espalhados pelas estradas serranas.
O Museu de Biologia Professor Mello Leitão, em Santa Teresa, é um dos mais importantes do país na área de zoologia. Seu acervo expõe a biodiversidade brasileira com profundidade científica — e é um destino que combina aprendizado genuíno com beleza natural. A região também concentra pousadas rurais e cachoeiras em meio à Mata Atlântica.
7. Itaúnas: dunas, forró e praias remotas no norte do ES

Itaúnas, distrito de Conceição da Barra, no extremo norte capixaba, é um destino de outra dimensão. O vilarejo foi literalmente engolido pelas dunas na segunda metade do século 20 — e a nova vila reconstruída às margens do Parque Estadual de Itaúnas carrega essa história de resistência na memória coletiva.
As dunas ativas de até 30 metros de altura convivem com praias praticamente selvagens, trilhas por restinga e o corredor de tartarugas marinhas monitorado pelo projeto Tamar. O parque abriga ainda lagoas de água doce, manguezais e uma biodiversidade que faz de Itaúnas destino obrigatório para o ecoturismo.
À noite, o clima muda: Itaúnas é considerada a capital capixaba do forró. Os arrastões de forró pé-de-serra nas praças e barracas da vila atraem dançarinos de todo o Brasil, especialmente no verão e no Festival Nacional de Forró, que acontece anualmente e transforma o vilarejo em um dos eventos de forró mais importantes do país.
8. Pico da Bandeira: a terceira montanha mais alta do Brasil

Na divisa entre o Espírito Santo e Minas Gerais, o Pico da Bandeira tem 2.892 metros de altitude — a terceira maior elevação do país, segundo o IBGE. O acesso pelo lado capixaba é feito pelo Parque Nacional do Caparaó, em Alto Caparaó, e exige planejamento: o parque funciona de quinta a terça-feira (fechado às quartas), das 7h às 17h, e a visita diurna ao pico está limitada a 200 pessoas por ordem de chegada, com entrada entre 7h e 8h.
É obrigatório portar lanterna individual — não vale lanterna de celular. Quem chega após as 8h não pode mais acessar o pico no mesmo dia. As trilhas para cachoeiras e mirantes têm acesso a partir das 8h30. Para acampamento, as reservas são feitas via formulário com vagas divulgadas semanalmente em listas oficiais.
A entrada no parque é gratuita. O endereço de acesso é Vale Verde, Zona Rural, Alto Caparaó.
9. Pico do Forno Grande (Castelo): cachoeiras, piscinas naturais e a vista da Pedra Azul

No sul capixaba, o Parque Estadual do Forno Grande, em Castelo, oferece uma das experiências mais completas para trilheiros do estado. O parque tem entrada gratuita e funciona das 8h às 16h (com acesso ao pico a partir das 6h para escaladores).
A trilha de 1.200 metros leva ao Mirante da Pedra Azul — com vista privilegiada de uma perspectiva completamente diferente da habitual — em percurso de 3h30 de ida e volta. A trilha até a Cachoeira do Forno Grande, com 30 metros de altura, fica a 400 metros do centro de visitantes. Mais 400 metros adiante está a Gruta da Santinha, formada por rochas empilhadas com imagem de Nossa Senhora. A 1.200 metros ficam os Poços Amarelos, piscinas naturais com águas amareladas ideais para banho.
O Pico do Forno Grande, com 2.039 metros de altitude, exige agendamento prévio e equipamentos de escalada, com trilha de 6 horas de ida e volta. O endereço é Estrada Rural, s/n, Distrito Forno Grande, Castelo. Mais informações pelo e-mail: forno.grande@iema.es.gov.br.
10. Pedra da Penha (Cachoeiro de Itapemirim): fé, gastronomia e vista até o Rio de Janeiro

A mais de 1.000 metros de altitude, a Pedra da Penha é o ponto mais alto de Cachoeiro de Itapemirim — e uma das trilhas mais emocionantes do sul do estado. Localizada no distrito de São Vicente, a trilha tem cerca de 2 km com aproximadamente 1h20 de caminhada até o mirante. O acesso é gratuito.
Do topo, em dias claros, é possível avistar a divisa com o Rio de Janeiro, o litoral capixaba e a região da Pedra Azul — uma vista de 360° que justifica cada passo da subida. No caminho, os visitantes encontram um altar com a imagem de Nossa Senhora da Penha: a tradição de subir à pedra para homenagear a santa remonta à década de 1930, e anualmente, após a Páscoa, a comunidade organiza uma festa em celebração à devoção.
No local há ainda um restaurante com comida feita no fogão à lenha — o tipo de refeição que torna a descida tão prazerosa quanto a subida.
O Espírito Santo tem praias, montanhas, história, adrenalina e gastronomia — tudo dentro de um estado que cabe em um final de semana estendido. Para mais sugestões de lazer, agenda cultural e roteiros pela Grande Vitória, acompanhe a editoria de entretenimento do Capixaba365.


